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Andava pela rua quando esbarrei com ele, era uma quarta feira. Derrubou-me de mão as folhas do trabalho que examinava atentamente. Desde criança imaginei que encontraria alguém daquela forma... mas certamente não esperava ser ele. Estudou comigo há anos e era o menino mais inteligente e quieto da sala, fazendo então meu tipo. Não era lá o deus da beleza, mas éramos crianças, o que entendiamos de beleza então? Uma bala comprava nossa amizade, um bilhete nosso coração.
Agachados, ele ajudou-me a recolher tudo, pedindo desculpas. Leu meu nome numa das folhas e ficou quieto. Olhou-me e a conversa começou. Reconhecemo-nos. Sorrimos. Marcamos um café.
Nunca é só um café, ou só um drink, ou só um jantar...
Ele havia mudado, por sorte. Estava exageradamente mais bonito, trabalhava como desenhista de histórias em quadrinho, notícia na qual não acreditei muito no momento... Ele? O menino que lia a biblioteca inteira da escola durante o intervalo? Não parecia a mesma pessoa, mas me fez ver o quão... legal ele era.
Após o trabalho fui na cafeteria. Sentei no sofá do canto, aquele vermelho de couro (ou qualquer coisa que imite couro) e esperei. Enquanto isso, terminava de examinar novos papéis do meu trabalho. Quinze minutos haviam se passado e nada do tal desenhista. Após outros quinze que completaram meia hora, deixei um recado no balcão do lugar, que 'caso alguém venha me procurar, estou na livraria em frente'.
Era um lugar que conhecia, tanto a cafeteria quanto a livraria. Costumava vir aqui com a Fernanda e todas as moças do local nos conheciam. Eu sentava fora, para poder fumar enquanto tomava café, lia e falava besteira com a Fer, mas aquele dia sentei lá dentro. Não tomei café, não fumei, não falei besteira. Esperei.
Entrei na livraria e escolhi um livro... um qualquer, que tivesse título e capa bonitos. Sentei, li. Comprei o livro para terminar em casa, e nada do tal desenhista.
Já eram quase sete horas e marcamos para as 17:30. "Tudo bem", pensei, "talvez algo tenha acontecido. Espero que esteja tudo bem ao menos". Pensei em ligar mas lembrei que não havia números trocados. Segurei firme a bolsa, peguei meus papéis e andei em direção ao estacionamento. De longe, escutei meu nome sendo gritado.
Numa corrida atravessou a rua, e chegou aos meus pés cansado. Mal conseguia falar e pediu desculpas novamente. Sorri, admiti que estava feliz em vê-lo, disse algo engraçado e convidei-o para tomar um café na minha casa, já que o local havia fechado. Não haviam segundas intenções nas minhas palavras, era ainda uma quarta feira.
Entramos no meu carro, ele me contou o que houve. Na minha casa conversamos até umas onze horas da noite, quando ele percebeu que já era tarde. No meio tempo rolou uma janta. Só uma janta. Ele quebrara duas regras no mesmo dia...
Ofereci uma carona para casa, mas ele "moro aqui perto, lembrei agora". Sorri.
Abri a porta. Um beijo no rosto e até outro dia.
Fechei a porta e fui para o banheiro. Percebi novamente que nenhum número foi trocado. Não que eu fosse ligar, tanto porquê odeio telefones. É, tem razão, pra quê número de telefone? Esperava a água esquentar quando escuto batidas na porta. Algum vizinho louco precisando de algo. Enrolei-me na toalha e fui ver quem era.
- Oi! é... que... eu percebi que... esqueci de anotar teu número e dai... não quero que fique a mercê do tempo e do acaso nos encontrarmos novamente... Ah, bem, é que você disse que a gente ia se encontrar de novo qualquer dia e... ah, desculpe, tá tarde e eu... atrapalhei seu banho pelo que vejo... - disse isso em fração de segundos, enquanto eu sorria. Na última frase analisou atentamente a toalha parando em meu sorriso e ficando novamente constrangido. Sorrindo, com uma mão na porta e outra na toalha, respondi
- três cinco, cinco sete, oito quatro vinte e dois. ou nove nove sete dois, trinta e um, doze.
- Anotado... ah... boa... boa noite então...
A segunda despedida não envolveu beijos... seu rosto estava tão vermelho quanto possível. Mas ele tinha voltado.. E mais tarde mandaria mensagem no celular. Senti-me adolescente...
Tomei banho e dormi. Amanha ainda era quinta.
Ah, soh p/ desejar boa
noite de novo ... acho
q n deveria mandar isso
ah, enfim, até... beijo
eu confesso que sou idiota o bastante pra mandar uma mensagem só pra ver se esse era o celular da moça valéria! mas a mensagem falhou. :(
ResponderExcluirhahahahahahahahaha!
aaweuawehawehawuhudhsa
ResponderExcluirvc apavora.
auwehawuehah
eeei, esse nem é o telefone dela!
ResponderExcluirclaaaaro que é, Déds. x]
ResponderExcluirPosso convida-la para um... eheh, café?
ResponderExcluirPra você, só nos finais de semana. uhu!
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