Introdução Cap I Cap II Cap III Cap IV Cap V
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Tango. Era isso que soava no bar aquela noite. Contornava a beirada do copo com o dedo, estava sentada no banco do bar, olhos semi abertos, lábios vermelhos, para combinar com o vestido e o sapato. Vermelho, dizem que era a cor da paixão.
Do tango moveu-se para um techno, ainda tango. Tango-techno, meu tipo preferido de música. Ele aproximava-se, eu sorria, sem sorrir, sem olhar, sem ver. Aproximou-se fingindo estar ali por acaso. Entreolhei pelas frestas os cabelos, soltos e ondulados. Agradeci a Fernanda pelas insistidas aulas de dança... Tinha postura, reconhecia um deles de longe, e só pelo modo de andar, explicitava tudo o que era implícito. Puxou conversa, puxou uma dança. Agradeci a mim mesma pela insistência em aprender algo que não sabia fazer direito. Por fim abriram caminho, e no que se deseja horizontalmente, a dança estendeu-se para passos normais e raros, a ligação entre nós era além da música.
Sua mão em minha cintura, a outra na minha, a minha em sua nuca. Simples coordenação entre sentir e andar, mover, respirar e não sorrir. Olhares foram trocados, sem palavras, sem nada. Ele soltou um sorriso de canto, eu soltei de canto oposto. A música em seu fim, selado por um desses olhares intensos.
Mais um drink, mais uma conversa. Sem mais dança.
Agradeci ao Enrique por ter me explicado o vermelho.
Naquela noite, os lençóis experimentaram a cor vermelha. O sofá também, e o tapete da sala também. Agradeci ao seu bom senso de ter comprado um sofá confortável e algumas garrafas de vodka.
Os cigarros que seguiram a loucura do tango também foram essenciais.
Sua casa era bonita, arrumada.
E antes que acordasse, vesti meu vestido, na escuridão bordô, e saí de volta para casa.
Deixei uma nota, escrita em preto.
Uau.
ResponderExcluirSem mais para o momento.
(e a música ainda tá tocando aqui)
hehe
ResponderExcluirtô viciada nessa música. argh.